DICAS


Cuidados na aquisição de matrizes e reprodutores

1 - A escolha da raça, leite, carne ou dupla aptidão, é de caráter pessoal . O que importa é a alimentação, os cuidados no manejo e a constante seleção zootécnica do rebanho.

2 - Além da compra ser feita em criatório idôneo , cabe ao comprador examinar os animais ou estar acompanhado de técnico competente (veterinário, agrônomo ou zootecnista) e que realmente conheça a espécie.

3 - Em primeiro lugar, deve-se avaliar o estado nutricional dos animais, a higiene das instalações, o desenvolvimento e estado corporal do rebanho, pois uma caixinha de surpresas pode se esconder atrás de uma compra na qual se pense unicamente em preço ou valor genético dos animais.

4 - Examinar a pele e pêlos , para verificar a presença de piolhos. Examinar a coloração das mucosas, principalmente a ocular. Magreza significa fome, baixa produção de leite, endo ou ecto parasitas ou ambos (como vermes de diferentes tipos ou piolhos). Nos dois primeiros meses pós-parto, cabras de alta lactação ou especialmente na raça Alpina, a fêmea parida se mostra bastante magra e a recuperação é vista nítida e gradativamente após o pico da lactação, que ocorre após o segundo mês pós-parto. Não confundir, portanto, espoliação por parasitas, má nutrição e demais problemas sanitários, com fêmeas bem nutridas e hígidas, que perderam peso após o parto devido à lactação.

5 - No caso de compra de animais PO (puros de origem), examinar as características raciais como pelagem, chanfro, tamanho e/ou comprimento das orelhas, específicos de cada raça e, para todos os animais, dentição e defeitos como agnatia ou prognatismo.

6 - Avaliar aprumos (como o animal pisa, estado dos cascos, harmonia dos membros, artrite, sensibilidade ao toque nas articulações...).

7 - Avaliar o úbere das adultas e o desenvolvimento corporal das jovens; no úbere deverá ser observada a conformação (globosa, assimétrica, tetas excessivamente grossas ou pequenas ou bipartidas, presença de tetas supranumerárias funcionais, má inserção em relação ao períneo, ligamentos firmes ou excessivamente relaxados...), textura (maciez, que deve ser sentida por palpação antes e após a ordenha) e presença de nódulos, cicatrizes ou enfartamento ganglionar.

8 - No caso específico das raças Boer, Savanah e Kalahari , machos e fêmeas, poderão apresentar taras de tetas inadmissíveis nas raças leiteiras e de dupla aptidão, como tetas supranumerárias ou bipartidas e duplo orifício; porém, a seleção dessas três raças deve ser feita para animais que não apresentem esses defeitos, principalmente nos reprodutores; observar ainda a pigmentação do rabo, diretamente correlacionada a pigmentação da pele do restante do corpo, e que deve ser escura ou com, no mínimo 70% de pigmentação negra desde o nascimento.

9 - Nos machos , evitar a compra de cabritos antes dos 4 meses de idade, pois deverá ser observada a exposição do pênis, a conformação dos testículos e sua presença na bolsa escrotal, integridade dos epidídimos, libido e desenvolvimento corporal, além do estado sanitário; examinar detalhadamente boca e tetas; animais que sofreram problemas sanitários graves como verminose, eimeriose ou diarréias de diferentes origens, provavelmente terão um retardo no crescimento.

10 - Nos bodes , muita atenção aos testículos , que deverão ser bem desenvolvidos, simétricos, sem ferimentos e cortes na bolsa escrotal; atenção redobrada aos epidídimos, que não poderão apresentar granulomas; examinar a boca, o padrão racial, caixa torácica e abdominal, aprumos, articulações e, principalmente, as tetas, pois todos os machos deverão apresentar uma única teta de cada lado da região inguinal , semelhante as fêmeas; exceção às raças de corte, como citado anteriormente.

11 - N as cabritas de raças leiteiras e de dupla-aptidão, examinar as tetas , visando avaliar a presença de tetas supranumerárias, que podem ser funcionais ou possuírem duplo orifício, ou seja, funcionais quando da lactação, o que, além de ser um defeito zootécnico grave, incorrerá na desclassificação do animal no momento do registro genealógico. Para fêmeas de menor valor zootécnico, cuja função seja exclusivamente produção e formação de rebanho, essa característica deve ser igualmente observada.

12 - Jamais adquirir uma fêmea de 2 ou mais anos de idade não parida ou que não esteja ao menos mojando, pois a cabrita torna-se púbere aos 4 meses e deverá ser acasalada a partir dos 7 meses (desde que tenha 65 a 70% do peso adulto da raça), ou seja, deverá estar obrigatoriamente parida antes dos 2 anos de idade.

13 - Sempre que possível, requisitar ao vendedor todos os dados zootécnicos dos animais, bem como o RGN ou RGD, no caso de rebanho submetido ao Registro Genealógico Caprino (SRGC).

14 - Quando da compra de animais mestiços, para formação de plantel, os mesmos cuidados devem ser observados, com menores exigências quanto à capacidade leiteira, mas nunca deixando de observar as características sanitárias dos mesmos.

15 - Muito cuidado com a linfadenite caseosa : jamais adquirir animais com enfartamento ganglionar (principalmente adiante da paleta, na cara, embaixo da mandíbula, etc.) ou cicatrizes de abcessos drenados e já secos na região esses defeitos, principalmente nos reprodutores; observar ainda a pigmentação do rabo, diretamente correlacionada a pigmentação da pele do restante do corpo, e que deve ser escura ou com, no mínimo 70% de pigmentação negra desde o nascimento.

16 - Verificar qual o manejo nutricional do rebanho, para que após a eventual mudança na qualidade ou marca do concentrado, bem como no volumoso (capim verde picado, feno, silagem, leguminosas verdes, etc.) seja feito gradativamente, do contrário poderá ocorrer mortes por enterotoxemia. Nunca utilizar o farelo de trigo como fonte de proteína (e de barateamento da ração) pois ele ocasionará a formação de cálculos renais, que obstruirão a uretra peniana, levando à morte do reprodutor. No caso de utilização de concentrado não comercial (formulações caseiras) e/ou de firma não idônea, não colocar mais de 30% desse farelo e SEMPRE adicionado de 2% de farinha de ostra ou carbonato de cálcio.

17 - Nunca transportar os animais por muitas horas ou dias sem oferecer água limpa e, se possível, volumoso limpo. Nunca cortar capim em beira de estradas movimentadas, totalmente contaminados de poluição, fumaça e gazes de escapamentos; no caso de importação direta do exterior, exigir a presença de um técnico competente e idôneo, além dos exames sanitários exigidos pelo M.A.

18 - Não esquecer que o leite é produzido a partir daquilo que o animal come, não apenas de um bom pedigree. As condições ideais de produção de leite são climas amenos, com temperatura de conforto de 12 a 18 ° C, o que dificilmente conseguimos em nosso país; portanto, animais adquiridos no sul do Brasil ou exterior poderão apresentar produção leiteira aquém do esperado ou desejável, exatamente pelo fato do calor e/ou umidade elevada diminuírem a ingestão de alimento e, consequentemente, da produção.

Profa. Dra. Anneliese de Souza Traldi - Departamento de Reprodução Animal, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia – USP

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Manejo de ordenha: ponto importante para obtenção de leite de cabra de qualidade

A ordenha, principalmente para os animais destinados à exploração leiteira, é um processo de suma importância tanto do ponto de vista fisiológico quanto no que tange o aspecto econômico.
Ao analisarmos o aspecto fisiológico, observamos que é através da extração do leite que se obtém uma melhor performance do aparelho mamário uma vez que, com a retirada do leite, as células secretoras estão aptas para iniciar novamente o processo de secreção e, desta forma, haverá uma manutenção da integridade celular, bem como uma secreção hormonal harmoniosa. Do ponto do vista econômico, a ordenha demanda aproximadamente 60-80% de mão-de-obra necessária nos serviços de estábulo, tornando-se, assim, indispensável à maximização de sua eficiência para obtenção de um rendimento adequado na exploração leiteira.
Sendo assim, um correto manejo de ordenha torna-se indispensável a fim de prevenir ou controlar uma das principais doenças de rebanhos leiteiros caprinos, a mastite. Medidas básicas de higiene no momento da ordenha, como também uma seqüência de ações corretas com relação ao modo de ordenhar já seriam suficientes para que casos de mastite, tanto de ordem clínica como subclínica, fossem amenizados.
Um protocolo também bastante utilizado e que pode auxiliar no controle da mastite é chamado linha ou seqüência de ordenha, no qual a ordenha inicia-se pelos animais de primeira lactação, depois, cabras adultas que não estão manifestando sinais de mastite, a seguir fêmeas que apresentaram mastite, mas já foram tratados e não apresentaram sintomas e finalmente, animais em tratamento, do caso menos grave para o mais grave, sendo desprezado o leite obtido desta última categoria animal.
Estabelecida a linha de ordenha, faz-se necessário o uso de um conjunto de práticas, tais como: teste da caneca telada ou de fundo preto; limpeza correta dos tetos e se necessário o uso de água corrente de baixa pressão; solução desinfetante iodadas a 0,25 a 1% ou à base de Hipoclorito de sódio a 1 : 1000 para a pré e pós desinfecção dos tetos; a secagem dos tetos com toalhas de papel.
O teste da caneca telada ou de fundo preto, é um teste onde os primeiros jatos de leite são colocados em uma caneca de fundo escuro e observados a presença de grumos ou pus que poderá ser um indicativo de mastite clínica, esse teste também tem importância, pois ao tocar nos tetos do animal, a pessoa estará ajudando a estimular a descida do leite. Outro aspecto importante é que ao retirar os primeiros jatos de leite, remove-se uma grande carga microbiana que encontra-se acumulada na ponta do teto.
Uma outra prática é a limpeza correta dos tetos com água corrente de baixa pressão ou solução desinfetante iodada seguido da secagem dos tetos do animal com toalhas de papel, lembrando que o uso da água corrente só deve acontecer em caso de extrema necessidade como quando os animais chegam à sala de ordenha sujos de esterco ou barro. Concluído a parte de higienização do úbere do animal segue-se então para a etapa da colocação correta das teteiras, e quando faz-se o uso de ordenha mecânica devem ser colocadas no mínimo entre 30 segundos a 1 minuto após a retirada dos primeiros jatos para que o pico do hormônio ocitocina, um dos responsáveis pela liberação do leite, seja totalmente aproveitado. Outro ponto importante com relação ao manejo da teteiras é que estas devem ser colocadas permitindo-se a menor entrada de ar possível, o que pode ser obtido abrindo-se o registro de vácuo somente quando estiver com o conjunto de teteiras localizado embaixo das tetas do animal.
No processo de ordenha manual inicia-se o trabalho logo após a higienização do úbere do animal. Logo que o fluxo de leite cesse, deve ser feita a retirada das teteiras, em caso de ordenha mecânica, seguindo da imersão dos tetos em solução desinfetante iodada a 0,25 a 1% ou à base de Hipoclorito de sódio a 1:1000. A prática de pós desinfecção dos tetos é válida tanto para ordenha manual como para mecânica pois é através desse procedimento que há um controle de novas infecções intramamárias, uma vez que a glicerina atua formando uma espécie de tampão do final do teto, barreira que impedirá a passagem dos microrganismos do meio ambiente para o interior dos tetos.
A todos esses procedimentos podemos nominar de rotina de ordenha.
A higiene pessoal do ordenhador também é de suma importância para a obtenção de leite de qualidade e para sanidade do úbere animal. É essencial que o ordenhador mantenha suas unhas e cabelos (protegidos por uma touca) limpos e cortados, barba feita, uniforme limpo e apropriado e que utilize-se de botas plásticas. O ambiente da ordenha deve ser o mais higiênico e tranqüilo possível, sendo lavado antes e após as ordenhas, não esquecendo que todos os utensílios como baldes, latões, mangueiras, copos coletores, peneiras, enfim todo material usado na ordenha deve ser devidamente lavado, diariamente, logo após cada ordenha com detergentes alcalino e água a 70ºC (para remoção principalmente das gorduras), detergente alcalino clorado e água 70ºC (para remoção de proteínas e minerais) seguidos do enxágüe ácido para neutralizar resíduos, prevenir depósitos e manchas e inibir o crescimento bacteriano através da redução do ph.
Se todos os cuidados e práticas de higiene forem seguidos, o resultado final de todo esse processo será a obtenção de um alimento mais saudável vindo de animais sadios, visando prioritariamente a segurança alimentar.

- Lea Chapaval
Pesquisadora II Embrapa Caprinos (Sistemas de Produção/Qualidade do leite)

- Cellyneude de Souza Olivindo
Aluna de graduação/7º período Curso de Zootecnia/UVA

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Por que criar Caprinos?

Criar caprinos apresenta um suficiente desenvolvimento. Há mercado para os produtos cápricos, tanto de laticínios (leite, queijo, iogurte, etc.), quando de carnes e pele; podem ser criados tanto em grandes como em pequenas propriedades, adotando-se, em cada caso, um regime específico de criação. Além disso, apresentam um acelerado crescimento do rebanho em função de partis múltiplos e curto período de gestação (5 meses).

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O que é necessário para iniciar uma uma criação com chance de sucesso?
Basta ter uma área disponível para a instalação da caprinocultura, adquirir animais de boa procedência para garantir suporte forrageiro, ter água de boa qualidade, possuir instalações funcionais e o mais importante: manter-se sempre bem informado sobre o manejo e as condições adequadas.

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Qual o melhor tipo de instalação para criação?
O tipo de instalação vai depender da criação e da função da exploração. Pode -se recomendar desde apriscos suspenso, em alvenaria e madeira, a chiqueiros de chão batidos, desde que essas instalações estejam em consonância com as condições locais e o objetivo da criação.
O mais importante é que sejam funcionais e permitam uma boa relação custo/benefício no investimento de sua construção (leia-se custo/vida útil).
Na funcionalidade devem estar implícitos a higiene e o manejo sanitário (os caprinos são "rústicos", mas depois que adoecem sua recuperação é onerosa ou difícil).

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Qual a alimentação mais adequada para os caprinos?
O caprino é bastante seletivo e tem preferência mais por forrageiras de folhagem (80% na dieta) do que por gramínias. No seu hábito alimentar, as arbustivas são preferidas às herbáceas.
Em regime intensivo, no entanto, gramínia picada verde, em forma de silagem ou feno pode representar uma proporção bem maior na dieta.
Em explorações leiteiras, rações concentrações comerciais ou formuladas na fazenda são indispensáveis e o sal mineral deve ser garantido, em qualquer objetivo.

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Quais as melhores raças?
A melhor raça é aquela que se adapta às condições climáticas da região onde se pretender criar. Dentre as raças existentes podemos citar:

Para produção de leite: Saanen, Toggemburg, Parda Alpina, Murciana, entre outras; em regiões semi-áridas pode-se optar pela mestiçagem destas raça.
Para produção de carne e leite: Anglo-nubiana.
Para produção de carne: Boer.
Para produção de pele: Moxotó, Canindé, entre outras.

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Qual a produção média dos caprinos?
Nas raças leiteiras, a produção média de leite é de 1.5 kg de leite/dia/animal, havendo casos de produção médias entre 3 e 4 kg de leite/dia/animal; já nas raças de corte, a produção média é de 12 kg de carcaça por animal até 1 ano de idade.

21/07/2003 - Revista O Berro nº 55

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Os 10 Mandamentos da boa prenhez em Caprinos

1 - Evitar o contato dos animais com o gato doméstico e com ratos, ou seus dejetos - evitando, assim, a toxoplasmose e a leptospirose.

2 - Manter as fêmeas prenhes em local separado dos demais animais do rebanho, seja em piquete de pastejo ou em instalação de fácil acesso, principalmente a partir do terço final da gestação.

3 - Realizar, periodicamente, a higienização das instalações, com raspagem do piso e retirada das fezes, recomendando-se que, em rebanhos destinados à exploração leiteira, a limpeza deverá ser realizada diariamente, uma vez que, neste tipo de exploração, os animal deve ser mantido em ambiente mais higiênico possível. Todo esterco retirado de baias, chiqueiros, etc. deverá ser colocado em esterqueira por um período mínimo de 30 dias, para posterior uso como adubo orgânico.

4 - Vermifugar as fêmeas antes do início da estação de monta, e após o 45o dia da cobrição ou inseminação artificial. Esta última medida visa evitar o aparecimento de malformações que podem ser provocadas por algum vermífugo. Na época chuvosa, além da vermifugação, observar as fêmeas em busca de sinais de verminose clínica, tais como pêlos arrepiados, perda de peso e mucosa ocular pálida. Havendo problemas, realizar nova vermifugação e nova rotação de pastejo.

5 - Fazer a "secagem" do leite das fêmeas, no mínimo 45 dias antes do início da próxima lactação. Esta medida objetiva dar um descanso ao úbere, permitindo maior produção de leite na próxima lactação e também maior produção de colostro.

6 - Registrar a data provável do parto, com separação da fêmea entre 7 a 10 dias antes do mesmo, devendo ser colocada em piquete-maternidade ou em baias previamente higienizadas.

7 - Realizar a limpeza e o corte dos pêlos da cauda e da região perineal.

8 - Praticar a limpeza do úbere a partir do 10o dia anterior à data do parto, com soluções desinfetantes à base de iodo a 0,5% ou hipoclorito de sódio a 1:5.000. Secagem com toalhas individuais. Imersão das tetas em solução de iodo a 0,5%, acrescida de 10% de glicerina, para prevenir contra mastites clínicas no início da lactação.

9 - O nascimento da cria deverá ocorrer dentro das primeiras duas horas após o início do trabalho de parto (contrações abdominais e uterinas). Se a fêmea não conseguir realizar o trabalho sozinha, chamar um veterinário. Após o parto, realizar a limpeza da mãe e da cria - quando ela não puder fazê-la.

Observar a lipeza da região da cauda e do períneo.

10 - Colocar a fêmea e a cria em ambiente limpo e seco. Dependendo do regime de manejo adotado, separar a cria imediatamente ao parto, ou após a ingestão do colostro. Observar, cuidadosamente, a fêmea durante o período de pós-parto, verificando sinais indicadores de complicações como: retenção da placenta, endometrite, hipocalcemia puerperal e mastite. Havendo problemas, chame um veterinário.

21/07/2003 - Revista O Berro Nº 41

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Os 10 Mandamentos da qualidade das peles

  • Manter instalações sempre limpas;
  • Realize a esfola manualmente (com o punho), nunca utilize a faca;
  • Após a esfola, lave bem as peles, deixe escorrer e salgue imediatamente;
  • Nunca reutilize o sal;
  • Não faça uso de arame farpado, use cerca elétrica;
  • Faça a limpeza do pasto e descorne os animais 15 dias após o nascimento;
  • Reduza a idade de abate;
  • Armazene as peles em pilhas de no máximo 30cm de altura, em local fresco e arejado;
  • Vermifugue e combata os ectoparasitas;
  • Reduza o tempo de armazenagem, procure entregar logo ao curtume.

06/11/2002 – ACCOBA

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Hora da desmama

Se a região é seca, como no Nordeste, a desmama até que pode se alongar um pouco mais, embora nunca seja interessante economicamente. Já nas regiões de bastante chuva, a idade na desmama precisa ser o mais cedo possível, pois existe o grande problema da verminose. Os pastos verdes e as altas lotações são um chamariz para milhões de vermes.
Em um ano que choveu 630 mm o rebanho foi vermifugado a cada 30 dias de idade e apresentou zero mortes. Ou seja, pouca chuva garante poucas mortes por verminose. No ano seguinte choveu 738 mm e aconteceram dois casos:

a) o rebanho vermifugado a cada 30 dias teve zero mortes;

b) o rebanho vermifugado a cada 60 dias teve 13 mortes.

No próximo ano, chovendo 1.375 mm, o rebanho vermifugado a cada 30 dias teve 21 mortes. O rebanho vermifugado a cada 60 dias teve 42 mortes.
Quanto mais chuvas, mais capim verde, mais vermes, maior mortalidade de cordeiros. Assim, sugere-se a desmama precoce. Quanto mais chuva, mais precoce deve ser a desmama. O ideal é uma desmama aos 45 dias de idade (Siqueira, 1999).

Por que 45 dias? Porque, nessa fase, a ovelha já apresentou o pico de produção de leite, que acontece entre a 3a e 4a semana depois do parto. Afinal, 75% do total do leite é produzido nas primeiras 8 semanas (Jordan & Hanke, 1977). Assim, nada justifica alongar o período da amamentação, em regiões chuvosas.

A desmama atrasada retarda, com certeza, o peso dos cordeiros. A desmama aos 45 dias permitiu um ganho de peso diário de 205 gramas contra apenas 98 gramas para aqueles desmamados aos 70 dias. Não houve nenhuma morte no grupo de 45 dias mas houve 21,4% no grupo de 70 dias (Siqueira & Fernandes, inédito). A diferença entre os dois grupos foi atribuída à verminose crescente com o passar do tempo.
É importante lembrar que a ovelha, no final da gestação e durante a lactação, torna-se muito propícia às verminoses. Durante o estresse da amamentação, a ovelha libera uma quantidade muito maior de ovos de helmintos, contaminando as pastagens e os filhotes.
O melhor caminho é a desmama precoce, a partir de 45 dias, com suplementação alimentar para os cordeiros.

02/05/2002 - Revista O Berro

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Escolhendo a boa cabra leiteira

Da escolha das cabras depende, em grande parte, o sucesso da criação. Devem ser adquiridas cabras de raças ou linhagens com período de lactação de 250 dias e uma produção inicial acima de 2,5 litros. Cabras doentes, defeituosas, esgotadas ou velhas devem ser rejeitadas.
Como são em geral os animais puros, de raças leiteiras aperfeiçoadas, os que mais produzem, é aconselhável adquirir cabras puras ou que sejam mestiças dessas raças. Entre as numerosas raças leiteiras, podem ser destacadas as seguintes:

- Toggenburg – medem 1,10m de comprimento e 70 a 80 cm de altura na cernelha e produzem de 3 a 5 litros de leite por dia. De coloração variando de castanho-claro até o castanho queimado.

- Saanen – é toda branca, mede de 1,15m de comprimento e de 79 a 93cm de altura e produz de 3 a 5 litros de leite por dia.

- Nubiana – produz de 3 a 6 litros de leite por dia e a Anglo-Nubiana, como produção de 2 a 4 litros.

- Murciana – é considerada muito bonita e elegante, produz em média 2 a 3 litros, alcançando porém até 5 litros.
- Parda Alpina – produz entre 1,5 a 5,0 litros / dia. Encontra-se em todo território nacional e é considerada a mais rústica de todas as leiteiras, no Brasil.

- Branca sertaneja – é uma variação de Alpina Americana, sem homologação no Brasil, mas bastante comum no Nordeste. Produz entre 1,0 a 4,0 litros / dia. Lembra a Moxotó.
- Existem outras raças leiteiras no mundo e algumas no Brasil, com poucos exemplares.

- Quanto às cabras das raças nacionais, já existem algumas evoluído nessa
direção. Em geral, elas produzem pouco e tem período de lactação pequeno.

12/04/2002 - Revista O Berro

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10 Dicas para ganhar dinheiro com bodes

1 – Antes de tudo: incrementar a alimentação. Usar feno, silagem, hidroponia, palhadas, bagaço de cana, folhas, ramas. Tudo o que parecer. Se possível, economizar na ração concentrada.

2 – O sal mineral deve estar sempre no cocho. Para ser consumido à vontade.

3 – No caso de ração concentrada, prefira o seguinte procedimento:
Cabritos = 200 gramas com 18% de proteína bruta por dia + volumoso de boa qualidade (feno, capim)
Fêmeas em final de gestação (60 dias antes de parir) e fêmeas em inicio de lactação (primeiros 30 dias) = 500 gramas com 16% de proteína bruta/dia e volumoso de boa qualidade.
Fêmeas em estado de monta (30 dias antes e durante o período de reprodução) = 500 gramas com 16% de proteína bruta/dia e volumoso de boa qualidade.
Reprodutores em estação de monta (2 meses antes e durante o período de reprodução) = 500 gramas com 14% de proteína bruta/dia e volumoso de boa qualidade.

4 – Faça você mesmo sua ração. Eis um bom exemplo na tabela abaixo:

5 – Vistoriar diariamente os animais. De preferência, pela manhã, no momento em que for soltando. Preste atenção aos seguintes pontos:

- Olhos = coloração diferente, presença de secreção, mucosa esbranquiçada, etc.
Narinas = secreção.
Boca = feridas, bolhas.
Traseiro = Diarréia
Cascos = Espinhos, crescimento irregular, etc.
Pêlos = eriçados (espinhados), queda de pêlos, etc.
Corpo = presença de caroços.
Comportamento = animal isolado, triste, cambaleante, com tremores musculares, etc.

6 – Quando perceber algum sinal de anomalia, procure rapidamente o veterinário. Mais vale gastar um pouquinho com o veterinário do que perder muitos animais, ao mesmo tempo.
7 – Separar os animais de acordo com categorias: machos, fêmeas em gestação, fêmeas em lactação, cabritos e cabritos desmamados. Cada grupo deve permanecer em piquetes e baias separadas.

8 – Não se esqueça: mantenha os macho sempre separados das fêmeas, para evitar que as fêmeas muito jovens sejam cobertas.

9 - Muita atenção para com as fêmeas que estão perto do momento de parir. Elas precisam ficar em instalações ou piquetes próximos às instalações. Cada produto que nasce é lucro para você.

10 – Escolha bem os reprodutores para que acrescentem melhoramentos ao rebanho.

20/09/2001 - Revista O Berro - n.º 39

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Como poupar a pastagem para a seca

Vedação do pasto no fim do verão e uso de carga adequada garantem sobra de capim para a seca
As chuvas são normais, o pasto está verde, cresce rápido e garante boa oferta de massa. Nessas condições, não há porque o pecuarista se preocupar com o alimento do gado. É uma situação que ocorre no período das águas, especialmente nos meses do verão. Mas essa abundância dura pouco, dando lugar à escassez do período seco que, no Centro-Oeste, tem sido mais longo que a temporada de chuvas. Nesse momento, o capim praticamente pára de crescer, perde qualidade e os animais emagrecem e produzem menos.
Por isso, é fundamental que o criador programe de forma adequada o uso da pastagem para todos os meses do ano. De acordo com o engenheiro agrônomo Haroldo Miguel Domingues Ferraz, da Agência Rural, o manejo correto das pastagens é uma das opções que os criadores têm para que os pastos cheguem ao período seco com maior quantidade de volumoso. Segundo ele, usar o pasto em rodízio melhora a produção de massa verde.
Haroldo Miguel argumenta que, teoricamente, toda vez que se divide um pasto, sua capacidade de suporte aumenta em média 20%. Mesmo que a propriedade tenha grande número de animais, o ideal é dividir os pastos em talhões menores, ainda que isso tenha custo maior com cercas e cochos. Porém, a divisão permite fazer manejo mais racional. Nas condições de Goiás, em que a forrageira predominante é a braquiária brizanta (braquiarão) é muito comum as pessoas colocarem superlotação nas águas e depois enfrentaram escassez de capim na seca, o que é mau negócio. Cerca de 90% dos pecuaristas goianos ainda adotam o pastejo contínuo.

O que fazer?

Se o pecuarista possui muitos animais e pouco pasto, o que fazer para chegar ao período seco com boa quantidade de volumoso? Haroldo Miguel dá uma dica: garantir uma poupança mínima de volumoso para seca, ainda que para isso seja necessário comercializar parte do rebanho, reduzindo o número de cabeças por hectare, ou alugar pasto fora da propriedade, avaliando se entecamimoncotal providência é interessante economicamente. Conforme o agrônomo, é muito comum em Goiás os pecuaristas trabalharem sempre com lotação acima da capacidade do pasto. No período das águas, tudo vai bem. Porém, quando chega a seca há prejuízos com perda de peso, morte de animais e queda no desempenho dos animais, principalmente rebanho de corte. Quando faz o manejo correto e garante volumoso para a seca, tudo fica mais fácil. Havendo boa quantidade de capim, o produtor pode optar pela adição de uréia ou complementar com cana e até mesmo usar concentrado.
Haroldo Miguel não tem receita pronta para o número ideal de animais por hectare. Cada situação deve ser avaliada levando em conta a espécie de forragem, o tipo de animal (corte, leite, erado, jovem, bezerro), a umidade (índice de chuvas) e a qualidade da terra (mais ou menos fértil). Nos criatórios extensivos de corte, uma unidade animal por hectare (1 UA/ha/ano), em pastagens de braquiária, tem sido a média ideal. Esse desempenho pode melhorar com pastejo rotacionado e plantio de leguminosas nas pastagens. É claro que, com produção intensa de massa verde nas águas, o criador deve colocar maior número de animais. Mas não deve permitir que a gramínea seja degradada.

20/06/2003 - Jornal O Popular - Paulo Lício

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Como evitar doenças em caprinos

Os caprinos são como diamante: duros de quebrar, desde que não levem pancada. Os caprinos não adoecem facilmente mas é importante seguir algumas medidas para evitar o surgimento de doenças na criação. As principais medidas são:

1 - limpar, raspar e desinfetar todas as instalações evitando o aparecimento ou dando combate aos insetos e parasitas que porventura lá existam. O melhor é o uso do lança-chamas, pois o fogo desinfeta e desinfesta, matando todos os micróbios e insetos por ele atingidos.

2 - lavar e desinfetar todos os comedouros e bebedouros, deixando-os bem secos.

3 - manter sempre bem secas as instalações, não molhando as ripas do piso, evitando a umidade, pois é ela a causadora do aparecimento de muitas doenças, principalmente a coccideose, cujos parasitas necessitam de umidade para se desenvolver no meio exterior, tornando-se infestantes. Além disso, facilita a proliferação de moscas, mosquitos e outros insetos muito nocivos aos caprinos.

Lembrar sempre: os caprinos odeiam umidade e água no chão.

4 - não criar caprinos junto com animais de outras espécies como, bois, etc. e nem entrar em contato com cães e gatos, que lhes podem transmitir doenças. A não ser que o ambiente seja rigorosamente higiênico.
5 - eliminar ou isolar da criação, o mais rapidamente possível, qualquer animal que apresente algum sinal de doença, porque pode se tratar de uma doença infecto-contagiosa que pode se espalhar por toda a criação. Uma doença infecciosa pode liquidar um rebanho em questão de dias!

6 - a pessoa que lidar com os animais doentes não deve estabelecer contato com os animais sadios, para evitar que estes também se contaminem.

7 - manter em quarentena todos os animais vindos de fora, mesmo os que saíram para exposições ou por qualquer outro motivo, e que estejam de regresso.
Lembre-se: animais sadios são os que estão em casa.

8 - evitar o aparecimento de todos os animais que possam transmitir alguma doença aos caprinos, como ratos, pássaros, cães, gatos, morcegos, etc.

9 - tirar da criação, todos os animais fracos, raquíticos, mal desenvolvidos ou "de pouca saúde", porque estão mais sujeitos a contrair doenças, passando aos outros. Ou seja, deve-se fazer a seleção dos mais aptos, dos mais fortes, dos superiores.

10 - queimar ou desinfetar o esterco e toda "sujeira" ou material que esteve em contato com animais doentes ou suspeitos. A higiene é a base do sucesso.

11 - queimar ou enterrar em cova funda e cobri-los com cal virgem, para desinfetá-los, todos os cadáveres de animais e detritos contaminados. Qualquer contato pode ser fatal.

12 - fornecer aos caprinos uma alimentação racional e alimentos de boa qualidade e frescos, para evitar distúrbios alimentares.

Publicado em "Agropecuária Tropical" - nº 51 - Setembro/Outubro 2002
11/12/2002 - Revista O Berro - nº 51 - Setembro/Outubro 2002

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